{"id":725,"date":"2019-10-14T15:32:31","date_gmt":"2019-10-14T18:32:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/?page_id=725"},"modified":"2019-11-12T14:19:46","modified_gmt":"2019-11-12T17:19:46","slug":"industria-4-0-os-desafios-para-a-metrologia","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/industria-4-0-os-desafios-para-a-metrologia\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria 4.0: os desafios para a Metrologia"},"content":{"rendered":"<p>Seguimos uma tend\u00eancia do momento: entender o que acontece na sociedade e nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o e quais os desafios para a Ci\u00eancia das Medi\u00e7\u00f5es. \u00c9 momento de aprofundar melhor nossa compreens\u00e3o sobre tudo isso, escapulindo um pouco de certos modismos que surgem. Afinal, hoje em dia quase tudo virou 4.0.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos numa transi\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica que ter\u00e1 efeitos como nunca vistos na hist\u00f3ria da humanidade. Se \u00e9 correta essa afirma\u00e7\u00e3o, enfrentaremos dilemas n\u00e3o s\u00f3 t\u00e9cnicos ou econ\u00f4micos, mas cient\u00edficos e principalmente \u00e9ticos e morais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas estamos de fato nesse processo de transi\u00e7\u00e3o? Ou seria mais um alarde desses que aparecem de vez em quando?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao responder a estas pergunta,s mas tamb\u00e9m relacion\u00e1-las com o tema escolhido para nosso pr\u00f3ximo congresso, penso imediatamente em algo que est\u00e1 bem pr\u00f3ximo do nosso cotidiano, de um instrumento que quase todos usamos com enorme frequ\u00eancia. J\u00e1 incorporado \u00e0s nossas vidas, um aplicativo de localiza\u00e7\u00e3o e sugest\u00e3o de rotas, como Waze ou GoogleMaps.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando falamos em quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, algumas defini\u00e7\u00f5es aparecem: processamento de enorme quantidade de dados, criando informa\u00e7\u00f5es, resumido na express\u00e3o \u201cbig data\u201d; internet das coisas, isto \u00e9, a comunica\u00e7\u00e3o entre sensores; sistemas ciberf\u00edsicos, ou seja, sistemas que relacionam sensores, estruturas eletr\u00f4nicas ou ainda estruturas eletromec\u00e2nicas com softwares de tomadas de decis\u00f5es; intelig\u00eancia artificial, ou seja, sistemas aut\u00f4nomos capazes de aprender a realimentar-se para tomadas de novas decis\u00f5es, e por a\u00ed vai. (ali\u00e1s, quem nunca se irritou com aquela voz dizendo \u201crecalculando rota\u201d, que a gente tem a n\u00edtida impress\u00e3o de que o aplicativo teria gostado de complementar: \u201c\u2026 seu barbeiro\u2026 :-o\u201d)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E o que \u00e9 esse aplicativo que roda silente em nosso <em>smartphone<\/em>? Sabe onde estamos e \u00e9 informado para onde queremos ir. A rota sugerida \u00e9 calculada reunindo enorme quantidade enorme de informa\u00e7\u00f5es: principalmente rotas e posi\u00e7\u00f5es de outros ve\u00edculos. Somos os sensores e produzimos esses dados. N\u00e3o se trata de calcular um caminho simples, num algoritmo de minimiza\u00e7\u00e3o de trajet\u00f3ria. Trata-se de buscar uma melhor solu\u00e7\u00e3o para aquele momento. E onde entra a Metrologia? Ora, em todo esse processo. Primeiro precisamos estabelecer nossa localiza\u00e7\u00e3o. E isso requer informa\u00e7\u00f5es com incertezas relativas em dist\u00e2ncias da ordem de bilion\u00e9simos. Isso requer transmiss\u00f5es de dados em frequ\u00eancias da ordem de GHz. Se n\u00e3o tivermos precis\u00e3o nessas ordens de grandeza, o sistema n\u00e3o funcionaria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De verdade, j\u00e1 entramos nessa novo processo de transi\u00e7\u00e3o. E talvez n\u00e3o nos tenhamos dado conta disso. Ainda falamos como se essa quarta revolu\u00e7\u00e3o fosse algo num futuro, mais ou menos pr\u00f3ximo; mas no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falamos dessa nova revolu\u00e7\u00e3o com temores e ansiedade. Fala-se que a atual revolu\u00e7\u00e3o industrial ir\u00e1 substituir diversas profiss\u00f5es por sistemas automatizados. Muitos empregos ser\u00e3o eliminados. \u00c9 nisto que est\u00e1 o desafio? Como aconteceram as coisas nas revolu\u00e7\u00f5es anteriores?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira revolu\u00e7\u00e3o industrial representou a supera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o baseada no trabalho dos m\u00fasculos pelas m\u00e1quinas t\u00e9rmicas. Com as m\u00e1quinas t\u00e9rmicas, novos processos industriais foram constru\u00eddos e surgiram novos meios de transporte, ligando e trespassando continentes numa velocidade at\u00e9 ent\u00e3o inconceb\u00edvel. Surgiram as f\u00e1bricas e toda uma nova organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Imp\u00e9rios foram constru\u00eddos n\u00e3o mais na extra\u00e7\u00e3o de riquezas naturais, mas na produ\u00e7\u00e3o de bens. No campo das ci\u00eancias, constru\u00edram-se as bases da Metrologia moderna. Nos finais do s\u00e9culo 19, em 1875, foi realizada a Conven\u00e7\u00e3o do Metro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos levaram \u00e0 segunda revolu\u00e7\u00e3o industrial, com as descobertas no campo da eletricidade: novos motores, telecomunica\u00e7\u00f5es, ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Essa segunda revolu\u00e7\u00e3o levou \u00e0 compreens\u00e3o de que os processos de com\u00e9rcio internacional dependeriam cada vez mais do acordo em torno das defini\u00e7\u00f5es no campo da Metrologia. \u00c9 nesse final de s\u00e9culo 19 e come\u00e7o do s\u00e9culo 20 que foram criados os primeiros e ainda hoje mais importantes institutos nacionais de metrologia: PTB (Alemanha), NIST (Estados Unidos), NPL (Reino Unido), por exemplo. Compreendia-se que era necess\u00e1rio, para garantir o desenvolvimento industrial do pa\u00eds, ter uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa capaz de unir ci\u00eancia, tecnologia e os interesses industriais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No \u00e2mbito dessa segunda revolu\u00e7\u00e3o, novas profiss\u00f5es foram criadas. Progressivamente, a for\u00e7a muscular foi sendo substitu\u00edda por motores. Muitas atividades passaram a ser feitas por sistemas eletromec\u00e2nicos. E nas comunica\u00e7\u00f5es ocorreu um salto sem precedentes, rompendo com as formas de comunica\u00e7\u00e3o antigas que demoravam dias e meses, por comunica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas. Imagine o tempo que demorava uma comunica\u00e7\u00e3o entre continentes antes da entrada em opera\u00e7\u00e3o do primeiro cabo submarino? (por volta de 1870)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira revolu\u00e7\u00e3o representa um salto importante na integra\u00e7\u00e3o cada vez maior entre ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. A automatiza\u00e7\u00e3o de processos e a introdu\u00e7\u00e3o da microeletr\u00f4nica produz enormes saltos de produtividade. Al\u00e9m disso, a globaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o passa a exigir melhores medi\u00e7\u00f5es e processos. Operam-se mudan\u00e7as fundamentais nos modelos de neg\u00f3cios e nos mercados de trabalhos. Profiss\u00f5es extinguem-se; outras s\u00e3o criadas, exigindo um dinamismo muito maior dos processos de forma\u00e7\u00e3o de pessoal. \u00c9 criado o Sistema Internacional de Unidades \u2013 o SI, e defini\u00e7\u00f5es das unidades de base chegam ao nanomundo. As telecomunica\u00e7\u00f5es e o mundo da qu\u00edmica e da biologia exigem defini\u00e7\u00f5es mais precisas. Mas ainda resta o kilograma, \u00faltimo baluarte a nos lembrar do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terceira revolu\u00e7\u00e3o produz outro salto e ruptura importantes. Novamente nas telecomunica\u00e7\u00f5es. \u00c9 nos finais da d\u00e9cada de \u201860 que surgem os primeiros esbo\u00e7os da internet. Tamb\u00e9m surgem os primeiros grandes mainframes, que processam informa\u00e7\u00f5es com capacidade de c\u00e1lculo de milhares de pessoas. Se algu\u00e9m quiser ter um bom exemplo, veja o filme \u201cEstrelas Al\u00e9m do Tempo\u201d (Hidden Figures), que retrata a substitui\u00e7\u00e3o de pessoas respons\u00e1veis por realizar os c\u00e1lculos para a NASA, por um computador. E tamb\u00e9m a (auto)capacita\u00e7\u00e3o de uma engenheira para programar e liderar o time de programadoras&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, assim, de fim de profiss\u00f5es ou ocupa\u00e7\u00f5es. Isso ocorreu em todos os processos de transi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m nas revolu\u00e7\u00f5es anteriores ocorreram rupturas e saltos n\u00e3o previstos nos cen\u00e1rios anteriores. Modelos de neg\u00f3cios e processos produtivos foram substitu\u00eddos, n\u00e3o por modelos que significassem evolu\u00e7\u00e3o progressiva dos anteriores, mas por novos cuja formata\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia nos modelos anteriores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se prenuncia e que n\u00e3o tem precedentes nas revolu\u00e7\u00f5es anteriores pode ser resumido em uma palavra: integra\u00e7\u00e3o. Integra\u00e7\u00e3o de sistemas e pessoas; de ferramentas e processos. Integra\u00e7\u00e3o realizada por sistemas aut\u00f4nomos e capazes de aprender e se corrigir. A base para essa integra\u00e7\u00e3o \u00e9 a conectividade, que exigir\u00e1 novas tecnologias de telecomunica\u00e7\u00f5es e para as quais novas preocupa\u00e7\u00f5es surgem. Particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a e privacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sistemas inteligentes e novas tecnologias representam novos desafios para a Metrologia. Integra\u00e7\u00e3o de sistemas f\u00edsicos, digitais e biol\u00f3gicos exigem novos materiais de refer\u00eancia, novos processos de avalia\u00e7\u00e3o de conformidade. Novos produtos, explorando o mundo qu\u00e2ntico, exigir\u00e3o padr\u00f5es ainda mais precisos. Deve-se salientar que o \u00faltimo basti\u00e3o do s\u00e9culo 19, o kilograma padr\u00e3o, passou a ser definido a partir de uma constante fundamental da natureza, pr\u00f3pria dos fen\u00f4menos qu\u00e2nticos. E \u00e9 a partir desse universo que a capacidade computacional pode crescer muito mais do que todas as previs\u00f5es anteriores, com a entrada dos computadores qu\u00e2nticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo esse novo cen\u00e1rio que se anuncia est\u00e1 a exigir toda uma reformula\u00e7\u00e3o nos processos de forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o. O profissional 4.0 (se me permitem essa forma de expressar) n\u00e3o poder\u00e1 mais ser aquele t\u00e9cnico que \u00e9 especialista numa \u00e1rea. Mas que n\u00e3o transita pelo universo criado pela integra\u00e7\u00e3o de sistemas e pessoas. O novo profissional tem que ser flex\u00edvel e capaz de ver os problemas e desafios de m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como dito por Klaus Schwab, engenheiro e economista alem\u00e3o, criador do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial e autor do livro A Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial:<\/p>\n<blockquote><p>Estamos no in\u00edcio de uma revolu\u00e7\u00e3o que alterar\u00e1 profundamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, escopo e complexidade, a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial \u00e9 algo que considero diferente de tudo aquilo que j\u00e1 foi experimentado pela humanidade.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguimos uma tend\u00eancia do momento: entender o que acontece na sociedade e nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o e quais os desafios para a Ci\u00eancia&hellip;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/industria-4-0-os-desafios-para-a-metrologia\/\" class=\"read-more-link\"><span class=\"read-more-icon\"><\/span>Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"class_list":["post-725","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=725"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/725\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1007,"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/725\/revisions\/1007"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.mq2i.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}